15.1.09

Pois bem, a moça cansou de esperar em sua janela habitual e resolveu trocar por outra com melhor vista. Casa grande, vários cômodos; várias janelas. Não conseguiu.

O belo rapaz perdeu sua magia, não era mais no diminuitivo; tinha de ser Sr. De Tal. E agora seria assim.
A moça perderia os antigos costumes, junto com seu velho brilho. Agora era lampião sem chama com falta-do-que-queimar. Sem serventia. Apática.
Não tinha fome ou sono, mas os saciava por hábito. Era praxe. Estava era enjoada. Da vida, do cheiro da cozinha... do que tinha na cabeça. Poderia - e queria - jogar tudo para fora. Tinha que agir.

A varanda era tão convidativa. Embaixo, os campos a aguardavam. Eram imutáveis, assim como ela desejava ser de uma vez por todas!
Não podia. Não era vôo para liberdade, solução... era para dentro da imensidão que é sua alma - e dúvida.

Devia escolher a janela certa não para dar fim, mas para começar outra vez. Respirou fundo, fechou os olhos e sentiu o vento.

Eles saberiam esperar por ela.

4 comentários:

Clara disse...

sabemos, sabemos =]

sempre

para variar belissimamente escrito

Gulherme disse...

Sabe, é coisa de irmão, eu inspiro ela!

Laís Matuck disse...

esperando, esperando, esperando... quem espera sempre alcança.

Felipe Attie disse...

No final, todos esperam...
Belo texto, moça! Voltarei...